E aí galerinha, tudo certo?! Esse mês estou seriamente inspirado e tenho buscado coisas diferentes e um pouco fora da minha zona de conforto para expandir, estão preparados para conhecer uma história contada de uma forma bem incomum ao que estamos habituados a ler?
Aos 15 anos, Will conhece intimamente a violência. Ela está à espreita no dia a dia de seu bairro, nos avisos para que não volte tarde para casa, nos sussurros dos vizinhos sobre mais uma pessoa que foi morta. Dessa vez, os sussurros são sobre seu irmão mais velho. Shawn foi assassinado na rua onde a família mora.

A regra número 1 é não chorar. A número 2, nunca dedurar alguém. A terceira, a crucial: se fazem algo com você ou com os seus, é preciso se vingar. A curta trajetória do elevador é ritmada pelas paradas em cada andar e por aqueles que aos poucos ocupam a cabine e os pensamentos de Will. Cada rosto tem uma história de vida e de morte. Will, em questão de segundos, vai definir a dele.

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De início já gostei da história se passar em 1 minuto, e esse formato em versos é algo que a deixou mais incrível, justamente por isso irei citar várias vezes o aspecto narrativo.
Jason Reynolds é conhecido por livros com temas fortes além de uma tendência ao ativismo negro o que acho maravilhoso, ele toca na ferida na qual muitos autores da "alta literatura"se recusam e fingem não saber da existência, tais como violência (nesse livro é bem explícito), tráfico, discriminação racial, preconceito, e ainda sobra tempo para falar de questões familiares envolvendo honra e "nome".


O livro é contado em versos, eu não diria poemas tampouco poesias, pois nem sempre o autor consegue ou quer fazer rimas tornando a narrativa única com essa "mistura" prevalecendo a estrutura de versos. A parte que mais me encantou é que Jason Reynolds mostra que sabe manipular as palavras de um jeito que brinca com o nosso emocional, nos deixando a mercê da história e nos prendendo nela também, terão horas de riso e outras (muitas) de choro, repito: é sensacional.
Diferente de alguns livros de poesia esse não cansa por se tratar de uma história "fragmentada" e esse formato só dá mais agilidade no fim das contas, com o propósito de acompanhar o tempo em que o livro acontece.

Temos aqui muita aliteração, várias estruturas diferentes que são verdadeiros desenhos, jogos de palavras, brincadeiras com rimas, limeriques, e quase qualquer outro gênero de escrita que você possa imaginar. Quem estuda letras tem altas chances de se deliciar com a obra.

O formato não é tão novidade assim, ao menos para nós brasileiros esse é um dos primeiros a serem publicados juntamente com A poeta X que também tem uma "pegada" parecida, mas lá fora uma das pioneiras foi Ellen Hopkins com a série Crank, pesadíssima e que infelizmente não tem no Brasil ainda.
Estamos numa onda nacional de poesia onde até youtubers estão publicando obras, também houve o boom de Rupi Kaur e Amanda Lovelace mas nenhum desses chega perto da proposta de Reynolds e Hopkins que contam histórias através de versos.


Esse é mais um daqueles livros que parecem simples onde a narrativa começa leve e vai crescendo com o passar de páginas se transformando num verdadeiro monstro com uma única função: te fazer pensar/discutir os assuntos abordados, virando um prato cheio para professores e educadores levarem para a sala de aula. O final apenas acontece e vai depender da interpretação de cada um, pois não existe um lado certo, por isso leiam com muita atenção e tentem absorver cada detalhe, caso contrário pode acontecer uma leve decepção. Mais um aspecto bacana que gera longas discussões, vários pontos de vista sobre o que de fato aconteceu onde todos os cenários são possíveis graças a uma jogada de mestre do autor.

Sem sombra de dúvidas leva 5 estrelas e se torna um favorito do ano, da vida. Recomendo demais, e quem puder ler passe-o na frente de todos outros livros!



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