Olá galerinha, tudo bem? Finalmente pude conferir o novo livro do autor de Me chame pelo seu Nome, que foi bastante comentado nas redes esse último mês, bora conferir se é isso tudo mesmo?!

Os sentimentos de Paul, tão intensos na adolescência, continuam a atormentá-lo na vida adulta: no sul da Itália, ainda jovem, quando se apaixonou pelo marceneiro de seus pais; em Nova York, onde acredita estar sendo traído pela namorada e se interessa pelo parceiro de tênis nas quadras do Central Park; em um campus coberto de neve em New England. Não importa onde ou quando, suas relações são caóticas, transitórias e marcadas pela força do desejo.

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Sei que todos que falam desse livro evitam falar do anterior, me desculpem mas as comparações são inevitáveis até por se tratar do mesmo autor, vamos ao que interessa.

Enigma não é um livro de estrutura contínua, ele é dividido em contos/capítulos que tratam de determinada fase do protagonista Paul e dentro de cada fase dessas que a mágica acontece (quase sempre) formando um típico "coming of age" onde acompanhamos o crescimento dele durante um longo período, característica que gosto bastante em livros.
Vale lembrar que o livro é inteiro em primeira pessoa, sempre no passado relembrando o que aconteceu.

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Primeiro Amor:

O início não tem como negar ser um Me Chame 2 dada as sutis diferenças, parece muito com a história apenas mudando os personagens pois até a ambientação continua na Itália e foi um conto beeeeeem daquele mesmo jeito do livro só que menor. O autor ainda pesa a mão nos adjetivos, aquele amor exacerbado, uma paixão louca que se o personagem não tivesse seu objetivo alançado morreria, os enfeites linguísticos para dar um toque pseudo-cult e todo aquele mel típico de Aciman. Mais um caso de amor e ódio, foi bom mas não amei.
Tem um plot-twist envolvendo o pai dele que MEU DEUS!


Entusiasmo de Primavera:

Aqui Paul acha que está sendo traído pela namorada e começa a criar interesse por um colega de tênis o qual nem conhece e apenas o cumprimenta com acenos. Tem muitos fluxos de consciência, o que inclui pensamentos aleatórios que voltam ao passado, situações imaginadas, e pensamentos "sujos" nos quais ele imagina todo tipo de relação sexual com o Sem-Nome. O desfecho é bacana e só prova que Paul é um cara indeciso que não sabe MESMO o que deseja, quer tudo e todos na mesma intensidade e no mesmo local (de preferência na cama dele, obrigado). Mais um personagem problemático do autor onde fiquei com pena da "vítima".


Manfred:

Quando o livro engata e o autor realmente mostra para que veio! Esse conto poderia resumir o que dizem da obra sobre amadurecimento na escrita pois os problemas de um personagem saindo da adolescência não existem mais, ele continua sem saber o que quer da vida, mas a narrativa pega outro rumo ganha fluidez e dá gosto de ler.
Aqui o Sem-Nome é o objeto central do desejo, mostra como eles se conheceram, os joguinhos sedutores de Paul até de fato surgir algo, até o dia em que se tornam namorados e futuramente maridos. Carregado de sentimento, Paul literalmente se abre para nós aqui de uma maneira ímpar que fez valer a pena tudo que anteriormente foi lido.

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Amor Estelar:

Seguindo com a carga emocional elevada, esse é o mais complexo dos contos.
Mostra uma forma bem diferente de amor, onde as pessoas realmente se amam com muita intensidade mas não foram feitas para conviverem por mais de dois dias; Paul só vê seu "caso" a cada 4 anos onde ficam 2 noites juntos, fazem promessas, muito sexo e depois a menina some de repente, daí eles começam a se comunicar por e-mail e tudo se repete. No mesmo local, sempre a cada 4 anos.

É bizarro pois cada um mantém uma vida, ela com emprego dos sonhos, marido e filhos; ele casado com Manfred, mas seus parceiros não são capazes de completá-los, eles só conseguem chegar ao êxtase quando se encontram. No passado tentaram um relacionamento mas não deu certo, agora levam a vida assim, com seus respectivos maridos sabendo desse caso. Também é linda a mensagem que o autor nos deixa abrindo nossa mente para várias formas de amor.


Abingdon Square:

O último vem com uma revira-volta no final que me deixou nada menos que no chão.
Com Manfred na Alemanha, Paul recusa o artigo de uma menina em sua editora, a partir daí ela quer a todo custo tomar um café com ele mesmo tendo sido rejeitada. Eles se conhecem e criam uma amizade muito forte inicialmente sem intenções, até que Paul começa a sentir algo e os encontros ficam frequentes, nasce a paixão mas ele prefere ficar nos joguinhos sedutores até que...

Mais um conto lindo e não fosse a mente ninfomaníaca de Paul seria puro, nunca vi personagem mais "transão" do que esse! O cara bate o olho na parede e já se imagina nos finalmentes... Por favor né?! Isso é uma das características que me incomodam nos personagens de Aciman.

Leva 4 estrelas pelos últimos contos que foram nada menos que incríveis e neles finalmente consegui sentir essa conexão que tanto falam ao citar o autor, os dois primeiros prefiro nem comentar muito.


Quotes:


Eu me pergunto se no universo do sono os sonhos não saem voando e deduram os sonhadores.

Confessamos mais e censuramos menos, porque o que dizemos escapa e não conta de verdade. 

Amávamos sem convicção, sem propósito, sem amanhã. Amávamos com cada órgão, exceto o coração. 

Aprenda a ver o que nem sempre é visível e talvez você se torne alguém. 

O arrependimento é o modo como esperamos voltar para nossas vidas reais assim que encontrarmos a determinação.

Extras:

O nome dele era Dwight
As variações do amor de acordo com André Aciman
Somos como as águas sob aquela ponte

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