E aí galerinha, tudo certo? Adoro trazer livros poucos discutidos na internet, e esse é um deles. Preparados?!

Faz três anos que Miles se apaixonou por Vivian, uma talentosa e deslumbrante garota transgênero. Dezoito meses desde que uma tentativa de suicídio deixou Vivian em coma. Agora, Miles não tem certeza de quem ele é sem ela, mas sabe que é hora de descobrir como dizer adeus. Após chegar à Islândia com uma passagem só de ida, ele vive enclausurado no seu quarto de hotel. Depois de um pequeno empurrão de Óskar, um local que é tanto cativante quanto misterioso, Miles decide honrar a vida de Vivian fotografando seu sapato favorito vazio nas paisagens surrealistas do país. Cada passo que ele dá, é um ponto dado na ferida aberta de seu coração, assim ele começa a aceitar que o coma de Vivian é irreversível.

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Mostrando desde o início seu peso, o livro tem um propósito de mostrar que tudo nessa vida é passageiro e por mais que no momento seja doloroso temos que superar - ou tentar.

Embora trate de suicídio, transfobia, visibilidade lésbica e outras pautas da Agenda Gay, a narrativa segue com um ritmo leve focando no protagonista, quem continua escrevendo para a ex suicida numa tentativa de superar isso tudo pelo que está passando.
Confesso que há partes em que a autora força um pouco a barra com coisas do tipo "ah, eu tenho 2 mães lésbicas" "eu sou panssexual não binário" fatores bem desnecessários para afirmar o livro como LGBT, mas eu já entendi. Sem falar dos "affairs" e aventuras de Miles que soam MUITO algo escrito por um hétero simplesmente pela inconsistência aqui e ali, um pouquinho de machismo aqui e acolá, nada que desqualifique o livro, só falo isso por conta da militância forçada em algumas muitas partes.


A história me conquistou pelo formato, é "quase epistolar" se não fossem mensagens de whatsapp ao invés de cartas, e isso me fez lembrar muito um dos meus queridinhos As Vantagens de ser Invisível.
É bem satisfatória a evolução de Miles que mesmo depressivo tem um fogo difícil de apagar, atirando em tudo quanto é lado e afirmando sua masculinidade sempre que possível, sem nunca esquecer em hipótese alguma sua ex namorada trans suicida.

É aquela típica leitura de verão, curta, agradável, personagens cativantes, cenários bem diferentes por se passar na Islândia mas com aquele grande porém. Também não vou desmerecer a intenção da autora que bateu muito na tecla da transfobia relembrando flashes do passado onde Vivian sofreu bastante, sendo essa angústia o motivo principal do seu suicídio. O epílogo é formado por uma única frase com a intenção de deixar nossos corações quentinhos, e ela conseguiu! Talvez quem seja trans ou tenha perdido alguém se identifique mais com a história, pois para mim foi apenas um livro bacana, bem escrito e com temas que precisam ser discutidos.


Também é difiícil dar menos de 4 estrelas pois mesmo com esses problemas gostei da trama, esse tipo de narrativa me encanta mesmo depois de ter passado por isso - sair do armário - há tempo (cerca de 5 anos).

PS: Meredith Russo, autora de Apenas uma Garota recomenda esse livro!

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