Olá galerinha, tudo bem com vocês?! Finalzinho do mês chegando e junto com ele um livro arrebatador, recheado de drama e lições de vida, mas sem aquela parte chata motivacional. Preparados para conhecerem o livro mais intenso do ano?

Por anos, boatos sobre Kya Clark, a “Menina do Brejo”, assombraram Barkley Cove, uma calma cidade costeira da Carolina do Norte. Ela, no entanto, não é o que todos dizem. Sensata e inteligente, Kya sobreviveu por anos sozinha no pântano que chama de lar, tendo as gaivotas como amigas e a areia como professora. Abandonada pela mãe, que não conseguiu suportar o marido abusivo e alcoólatra, e depois pelos irmãos, a menina viveu algum tempo na companhia negligente e por vezes brutal do pai, que acabou também por deixá-la.

Anos depois, quando dois jovens da cidade ficam intrigados com sua beleza selvagem, Kya se permite experimentar uma nova vida — até que o impensável acontece e um deles é encontrado morto.

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Gostaria de começar exaltando esse livro: que história é essa Deus?! De início a narrativa é um pouco confusa com vários nomes, descrições de ambiente e duas linhas temporais em capítulos alternados mas com o decorrer nos acostumamos e conhecemos cada personagem citado, cada nuance que a autora nos mostra e tudo começa a fazer sentido. O drama aqui é o principal, já começando com um abandono e a sobrevivência de uma criança vivendo sozinha em um mundo hostil, sem dinheiro nem ninguém o que nos corta o coração; como se achasse pouco a autora ainda cria outro clima inserindo uma investigação policial sobre o assassinato de um riquinho da cidade, que ao longo da evolução de Kya as duas narrativas antes distintas se encontram como um rio e novamente as coisas se encaixam e fazem mais sentido juntas.


É difícil falar da história sem entregar e estragar a experiência de leitura, mas dentre tantas coisas a autora foi muito feliz em abordar temas como discriminação racial, relacionamento abusivo, discriminação social, bullying, assédio sexual... tudo isso em meados dos anos 70!

O que torna esse livro lindo e único é o fato da protagonista ser apaixonada pela natureza e poesia que se tornam personagens tão importantes na trama quanto a própria Kya. Sobre a menina: de longe a protagonista mais forte que já encontrei nos livros, garra é o sobrenome dela! Batalhou desde muito pequena, se tornou uma mulher admirável e a paixão pela natureza lhe rendeu ótimos frutos, é muito gratificante acompanhar o amadurecimento dela, um verdadeiro presente da autora para nós.
A inocência da menina, o encantamento dela com as aves... Tudo muito mágico, e nos faz sentir nostálgicos em relação a nós mesmos no tempo em que não existiam preocupações com a vida além de brincar e se divertir.

O detalhe: a autora é bióloga/naturalista por isso o conhecimento profundo da menina na natureza.


A única coisa que não me agradou tanto foram as descrições de ambiente que não gosto mesmo e acho que quebra o clima, além de ficar aquela sensação de "encher linguiça". O mais bacana é que a autora nos deixa com esperanças em relação ao futuro de Kya, deixando apenas algumas partes "previsíveis", embora o final seja feliz ele não é nem um pouco convencional, só digo que vale MUITO a pena, sério!

Sem dúvidas que leva 5 estrelas! Em breve vai virar filme e sinceramente espero chorar igual uma criança no cinema, ou igual chorei durante a leitura.

Quotes:

Quando encurralado, desesperado ou isolado, o homem retorna aos instintos cujo objetivo imediato é a sobrevivência.

Talvez, quando é necessário arrancar o jantar da lama com as próprias mãos, a imaginação se achate e vire a de um adulto.

Eu não sabia que palavras podiam ter tanta coisa.

Em todos os mundos da biologia, ela procurava uma explicação para o fato de uma mãe abandonar as crias.

Quanto se está disposto a oferecer para vencer a solidão?

Como tudo o mais no universo, nós despencamos em direção àqueles que têm a massa maior.

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