E aí galerinha, tudo bem? O livro de hoje é carregado de sentimentos, o típico YA que não leio há tempos e sinceramente: estou apaixonado! Preparados?!


Aos 18 anos, Nanette O'Hare é a típica boa garota. No fundo, porém, ela nunca se sentiu realmente parte do grupo, sufocando em um permanente desconforto com diversas atitudes das amigas e com os padrões sociais.
Mas tudo muda quando, no último ano do colégio, ela ganha um livro de seu professor preferido, o clássico cult O ceifador de chicletes, e fica fascinada com a mensagem de que ela pode ser de fato quem é.

Nanette se torna amiga do recluso autor e se apaixona por Alex, um jovem poeta que também é fã do livro. Encantada com esse novo mundo que se abre, ela se permite, pela primeira vez, tomar as próprias decisões.
No entanto, aos poucos Nanette percebe que a liberdade pode ser um desejo arriscado e começa a se perguntar se a rebeldia não cobra um preço alto demais.

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Que saudades de Matthew Quick! Confesso que a premissa não chamou muito minha atenção quando vi o lançamento e me arrependo muito de não ter lido antes.

O livro vai tratar de amadurecimento, o seu lugar e utilidade no mundo, a questão de seguir padrões, pertencer a um "grupo" e basicamente tudo que engloba o SER. A premissa e a história podem ser simples, mais uma trama escolar onde a menina inteligente e rica não se encaixa em nenhum grupinho, o famoso "white girl problem" mas você se engana pois o autor carregou o livro de sentimentos que vão muito além disso, mensagens, muitos ensinamentos e ainda falando no aspecto da narrativa MUITAS referências literárias, ás vezes tem até de cinema/TV de uma maneira natural sem forçar a barra como outros fazem por aí.

Falando um pouco dos personagens, é muito fácil se identificar com Nanette principalmente se você foi ou é um nerd na escola. A menina bem que tenta viver como os pais (de início fúteis) querem, faz de tudo até mesmo terapia, mas o mundo dela é outro e isso não vem com pedâncias por ser inteligente nem nada do tipo.

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A amizade que ela faz com Booker o autor de O Ceifador de Chicletes é a coisa mais linda da obra, perto do fim a coisa se transforma mas tem um motivo, é um pouco angustiante ver os poucos amigos dela "evoluírem" e ela ficar na mesma situação no que parece um pra sempre. Nem preciso dizer que O Ceifador é livremente inspirado em O apanhador no campo de Centeio né? A questão do livro, o autor recluso, dentre outras referências engenhosamente captadas e transportadas para o universo ficcional do autor confirmam isso, uma bela homenagem no fim das contas.

O clima do livro é bem John Green, e essa relação de autor-fã lembra um pouco o que acontece em A Culpa é das Estrelas e Peter Van Houten em Uma Aflição Imperial. Eu simplesmente vibro quando conseguem desenvolver bem esses casos de aliteração, sério, é muito lindo!

Faz tempo que não pego algo assim tão intenso e até um pouco pesado por se tratar de um Young Adult, acontecem muitas tragédias, nada dá certo por muito tempo e o final não é dos melhores também, mas a mensagem que o autor passou por trás disso tudo é o que faz valer a obra. Ele foge do lugar-comum ao mesmo tempo que a a história tinha tudo pra ser um clichezão onde adivinharíamos o final, o casal e etc.
Um verdadeiro tapa na cara no maior estilo Mosquitolândia, o tipo de livro que se um dia eu escrever será assim com essa carga emocional.

Vocês ainda tem dúvidas sobre a nota? São 5 estrelas e um favorito bem grande no coração, assim como Nanette vou reler essa obra sempre, até ficar desgastado e ter que ler no Kindle 💙

Quotes:

Só porque você é boa em determinada coisa não significa que precise fazê-la.

Não existem garantias quando se trata de algo tão precioso como a amizade.

Era um privilégio passar a vida toda nutrindo infelicidade por dentro?

Talvez aquilo fosse um grande problema da literatura: ela fazia sentido apenas no abstrato, não oferecia ajuda na vida real.

Ás vezes o mundo não se importa muito com o que fazemos - contanto que certos tipos continuem seguindo o fluxo sem nós.


Outros livros do autor:

Perdão Leonard Peacock
Quase uma Rockstar
A sorte do agora
Garoto 21

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